Diagnóstico

Para lá da sensação de "peso nas pernas" relacionado com as varizes constituídas ou dilatações venosas superficiais, podem encontrar-se três situações que podem induzir em erro:

1ª Um refluxo venoso profundo: consequência frequente de uma doença pós-flebítica, provoca geralmente uma dor "viva", tipo da tensão dolorosa da região gemelar, aumentada pela marcha e que desaparece após alguns minutos de repouso. Pode assim falar-se de claudicação intermitente de origem venosa. O seu tratamento assenta numa contenção elástica forte e na prescrição de curas termais, mas assenta essencialmente na prevenção de uma recidiva trombótica.

2ª Uma perturbação da estática plantar: o mais frequente é um pé cavo bilateral ligado a uma modificação do ângulo entre o astrágalo e o calcâneo. É acompanhado por um apoio preferencial sobre a segunda cabeça metatársica, com valgismo da metade posterior do pé. O diagnóstico, fácil através de um podoscópio, leva a uma tensão dolorosa da região gemelar, que terá como característica o agravamento com a marcha. O seu tratamento baseia-se na melhoria da qualidade do calçado, com colocação de uma barra retrocapital com almofadas intermédias para obter uma melhor repartição do peso sobre as cinco cabeças metatársicas.

3ª Um canal lombar estreito: manifesta-se por uma dor na zona gemelar de tipo parestesia com sensação de fraqueza muscular, desencadeada ou agravada pela marcha, desaparecendo com repouso e aliviada pela flexão para a frente da coluna lombar. O scanner confirma uma estenose do canal lombar (a artrose é a causa mais frequente).

Existem outras causas não venosas que também podem conduzir a síndromas dolorosos dos membros inferiores, mas a sua etiologia é geralmente diferente.

O síndrome compartimental bastante frequente nos indivíduos desportistas jovens, traduz-se numa cãibra muscular localizada no compartimento antero-externo da perna e ocorre após um esforço intenso, obrigando à interrupção desse esforço.

O seu diagnóstico é confirmado pela medida das pressões nos diferentes compartimentos musculares, em repouso e em esforço e após eliminação de um entrapment da artéria poplíteia.

Existem evidentemente outras patologias que têm a sua própria etiologia mas que podem manifestar-se sob uma forma fruste: flebite, crise de linfangite, erisipela. Daí, o interesse de um exame clínico completo e rigoroso, despistando essencialmente os sinais inflamatórios de adenopatias inguinais, os pulsos periféricos, ou a existência de uma eventual porta de entrada infecciosa (traumatismo do pé, micoses, etc.).

As dores de origem óssea ou muscular têm uma etiologia de tipo mecânico e são desencadeadas pela marcha ou pelo esforço, por exemplo, uma ruptura parcial do músculo gémeo interno ou do plantar delgado.

Uma nevrite alcoólica, uma mioglobinúria ou um sarcoma inicial da tíbia são causas raras.